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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

HISTÓRIA DA LAGARTA


                                              


Tema: DEUS   PAI – PEQUENOS ANIMAIS  DA TERRA                                                                        
Eu vou contar para vocês a história de uma lagarta que era conhecida por todos no jardim onde morava pelo nome de Feia. Não, não que eu achasse feia, como todos de lá, eu a achava bem bonitinha... ah! Eu acho que ela está aqui! Vejam por vocês, o que acham, ela é mesmo feia? Ah! Vejo que nem todos tem a mesma opinião..., talvez seja mesmo confusa essa situação...                                                               
Mas o fato é que a lagarta conhecida como Feia resolveu um dia passear pelo jardim e depois de tanto andar se cansou e procurou um lugarzinho para poder descansar.                                                           
Andou, andou pelo jardim, passou pelas flores perfumadas e finalmente encontrou uma linda árvore. Nessa árvore morava um macaco e a lagarta conhecida como Feia perguntou a ele se podia ali morar. Ele pensou, pensou... e disse que não queria uma lagarta tão feia morando naquele lugar.                             
A lagarta ficou muito triste, mas pensou que havia outras árvores e saiu a procurar.                        
Andou, andou pelo jardim, passou pelas flores perfumadas e estava muito cansada, e finalmente encontrou outra linda árvore. Nessa árvore morava um caxinguelê e a lagarta conhecida como Feia perguntou a ele se podia ali morar. Ele pensou, pensou... e disse que não queria uma lagarta tão feia morando naquele lugar.
 A lagarta novamente ficou muito triste, mas pensou que havia outras árvores e saiu a procurar.
Andou, andou pelo jardim, passou pelas flores perfumadas, cada vez mais cansada e finalmente encontrou outra linda árvore. Nessa árvore morava um colibri e a lagarta conhecida como Feia perguntou a ele se podia ali morar. Ele pensou, pensou... e disse que, “claro, amiga lagarta, afinal todos nós fomos criados por Deus, por que eu não iria deixar?”
E a lagarta ficou morando ali na árvore do colibri e começou a sentir um sono, um sono tão forte e começou a descansar. E de tanto descansar ela se transformou em um casulo e paradinha ficou mais tempo por lá.
Até que chegou um dia muito especial. Foi como se a lagarta passasse pelo túnel da evolução. Ela acordou e sentiu uma vontade de se esticar, esticar e.... se transformou numa linda borboleta!
 A borboleta que era chamada de Linda saiu voando e passou perto da árvore do macaco que perguntou se ela queria ali morar, afinal era tão linda e só podia ser uma criação de Deus! Mas ela pensou, ora, criação de Deus eu também já era quando era uma lagarta querendo descansar... Mas preferiu agradecer o convite e dizer que agora ela queria voar!
 A borboleta que era chamada de Linda saiu voando e passou perto da árvore do caxinguelê que perguntou se ela queria ali morar, afinal era tão linda e só podia ser uma criação de Deus! Mas ela pensou, ora, criação de Deus eu também já era quando era uma lagarta querendo descansar... Mas preferiu agradecer o convite e dizer que agora ela queria voar!
E quando ela se cansou um pouco e precisava descansar, voltou para a árvore do amigo colibri e resolveu por lá morar.E o que aconteceu depois?
A borboleta que era chamada de Linda botou alguns ovinhos na árvore do colibri que se transformaram em lindas lagartas e continuaram essa história que não tem jeito de terminar.
Porque na criação de Deus é assim: começa sempre um novo começo quando a gente pensa que chegou ao fim! (Simples assim!)

História da Lagarta (construída por Daniela Tonidandel adaptada por Sandra) 

sábado, 13 de abril de 2019

A ALEGRIA DE GERSON


       

  Em uma casa muito simples, moravam dona Ana e "seu" Flávio, com 4 filhos.
         O mais velho era o Gerson, que estava com 9 anos de idade.
       "Seu" Flávio estava doente e não podia se levantar da cama. Por isso, dona Ana trabalhava como lavadeira para manter a casa, comprar os remédios, a comida e agasalhos para o marido e os filhos.
            Gerson era quem mais ajudava a mamãe. Tomava conta dos irmãos menores.
        Fazia também a entrega de roupas para as freguesas.
       Às vezes, ficava na esquina do armazém com uma caixa de engraxate, limpando os sapatos das pessoas para ganhar algum dinheiro.
       Ele era esforçado, trabalhava com alegria e estava sempre sorrindo, mostrando os dentes brancos e cantando as canções que aprendia na escola ou com a mamãe.
       Era ele que, à tardinha, dava banho nos irmãos e dizia:
      - Vamos, garotada! Está na hora de tirar a sujeira!
     Gerson deixava-os limpinhos e com a roupa trocada, e isso alegrava muito dona Ana.
     Quando um irmãozinho ficava doente, era ele que marcava direitinho as horas de dar o remédio, verificar a febre e, fazia tudo tão cuidadosamente, que parecia mesmo um doutorzinho. Enquanto isso, sua mãe estava no tanque, lavando as roupas das freguesas.
           Com todas essas ocupações, Gerson achava tempo para tudo: brincar, trabalhar e estudar.
         Sua família, às vezes, passava dificuldades, quando o dinheiro de dona Ana era gasto em remédios para o "seu" Flávio, que parecia já estar melhorando.

    O tempo foi passando e se aproximando o Natal, quando as lojas ficam enfeitadas e quase todas as crianças esperam um presente ou uma surpresa.
         Mas, dona Ana não podia comprar nem enfeites nem doces, bolos ou presentes para seus filhos, no Natal.


          Na véspera de Natal, ela chamou o filho  mais velho e disse:
           - Gerson, por favor vá entregar essas roupas à dona Geni e veja se ela pode adiantar o pagamento.
          - Pois não, mamãe. Já estou indo...
          Pelo caminho, Gerson pensava: "O dinheiro que vou receber é pouco e o Natal é amanhã. Mamãe não poderá comprar enfeites, bolos, nem brinquedos..."


   Quando chegou à porta, bateu e foi atendido por uma senhora.
        - Dona Geni, vim trazer a roupa que a senhora mandou lavar.
        - Entre Gerson, venha cá até a sala.
           Ao chegar à sala, viu uma mesa enorme, toda enfeitada com pratos e salgadinhos e até umas bolas coloridas!...
           - Que beleza! Nunca vi coisas tão bonitas!...
           - Pegue, Gerson. Sirva-se do que quiser - falou Dona Geni.
             -Não, muito obrigado...
            Dona Geni insistiu para que ele se servisse, mas o pensamento do menino estava em casa: nos irmãozinhos e nos pais, que gostariam de comer aqueles doces gostosos.
           Gerson preferia ficar sem experimentar um doce sequer, a comer sem levar nada para os seus.
           Enquanto esperava Dona Geni voltar à sala, ele pensou: "Será que ela se lembrará de dar o dinheiro da roupa? E se ela esquecer? Se ela der, poderemos ter um Natal melhor..."
     Quando Dona Geni apareceu, trazia nas mãos um pacote bem grande com um lindo laço colorido.
          - Gerson, leve este pacote para casa.
         "Como pesa! O que haverá dentro?" - pensou o garoto.
          Dizendo "muito obrigado" e desejando Feliz Natal à Dona Geni, Gerson tomou o caminho de volta. Com o coração cheio de alegria, tentou correr para chegar mais depressa, porém não conseguiu, devido ao peso do pacote.
         Como sua família ficaria feliz com aquele presente!
    Ao chegar em casa, a surpresa foi geral e a alegria da família, enorme.
       Foi uma festa, todos ajudaram a abrir o pacote. Foi a mamãe quem tirou a surpresa da caixa:
         - Oh! Um lindo bolo de chocolate!
         - Há mais coisas, papai, ajude-me a tirar! Uma bola! Um trenzinho!...
         - Uma boneca! Um caminhãozinho!... - disse a irmãzinha.
        Todos cantaram e comeram uma fatia do bolo que Dona Geni tinha dado. A mamãe pediu a Deus que abençoasse a boa senhora.
        E assim foi feliz o Natal de Gerson!

(Adaptação feita pelo Departamento da Infância e Juventude da Federação Espírita do Estado de São Paulo)



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O DESCUIDO IMPENSADO

No orfanato em que trabalhava, Irmã Clara era o ídolo de toda gente pelas virtudes que lhe adornavam o caráter.
Era meiga, devotada, diligente.
Daquela boca educada não saíam más palavras.
Se alguém comentava falhas alheias, vinha solícita, aconselhando:
- Tenhamos compaixão...
Inclinava a conversa em favor da benevolência e da paz.
Insuflava em quantos a ouviam o bom ânimo e o amor ao dever.
Além do mais, estimulava, acima de tudo, em todos os circunstantes a boa-vontade de trabalhar e servir para o bem.
- Irmã Clara – dizia uma educadora -, tenho necessidade do vestido para o sábado próximo.
Ela, que era a costureira dedicada de todos, respondia, contente:
- Trabalharemos até mais tarde. A peça ficará pronta.
- Irmã – intervinha uma das criadas -, e o avental?
- Amanhã será entregue – dizia Clara, sorrindo.
Em todas as atividades, mostrava-se a desvelada criatura qual anjo de bondade e paciência.
Invariavelmente rodeada de novelos de linha, respirava entre as agulha e a máquina de costurar.
Nas horas da prece, demorava-se longamente contrita na oração.
Com a passagem do tempo, tornava-se cada vez mais respeitada. Seus pareceres eram procurados com interesse.
Transformara-se em admirável autoridade da vida cristã.
Em verdade, porém, fazia por merecer as considerações de que era cercada.
Amparava sem alarde.
Auxiliava sem preocupação de recompensa.
Sabia ser bondosa, sem humilhar a ninguém com demonstrações de superioridade.
Rolaram os anos, como sempre, e chegou o dia em que a morte a conduziu para a vida espiritual.
Na Terra, o corpo da inesquecível benfeitora foi rodeado de flores e bênçãos, homenagens e cânticos e sua alma subiu, gloriosamente, para o Céu.
Um anjo recebe-a, carinhoso e alegre, à entrada.
Cumprimentou-a. Reportou-se aos bens que ela espalhara, todavia, sob impressão de assombro, Irmã Clara ouviu-o informar:
- Lastimo não posso demorar-se conosco senão três semanas.
- Oh! por quê? – interrogou a valorosa missionária.
- Será compelida a voltar, tomando novo corpo de carne no mundo – esclareceu o mensageiro.
- Como assim?
O anjo fitou-a, bondoso, e respondeu:
- A Irmã foi extremamente virtuosa; entretanto, na posição espiritual em que se encontrava não poderia cometer tão grande descuido. Desperdiçou uma enormidade de fios de linha, impensadamente. Os novelos que perdeu, davam para costurar alguns milhares de vestidos para crianças desamparadas.
- Oh! Oh! Deus me perdoe! – exclamou a santa desencarnada – e como resgatarei a dívida?
O anjo abraçou-a, carinhoso, e reconfortou-a dizendo:
- Não tema. Todos nós a ajudaremos, mas a querida irmã recomeçará sua tarefa no mundo, plantando um algodoal.
XAVIER, Francisco Cândido. Alvorada Cristã. Pelo Espírito Neio Lúcio. FEB.











terça-feira, 23 de outubro de 2018

CAMILINHA


 
        Camilinha era uma menina muito apressada que gostava de "tudo do seu jeito". Normalmente isso queria dizer "de jeito nenhum", ou seja, tudo bagunçado.
        A vida de Camilinha era uma loucura! Quando ela fazia seus deveres de noite, não arrumava a mochila, deixando a mesa cheia de papéis, cadernos, lápis, e, às vezes, até tintas e massinha!
        No outro dia, quando ela acordava para ir à escola, era aquela correria: sua mãe tinha que arrumar toda sua mochila para colocar a mesa do café da manhã. Enquanto isso, quando Camilinha acordava, jogava a camisola no chão e ia pegar a roupa da sua escola. Não era obrigado ir de uniforme na escola da Camilinha, e ela era muito indecisa. Então, cada roupa que ela pegava para vestir e não vestia ficava jogada no armário de qualquer jeito. Depois, claro, a mãe de Camilinha arrumava tudo para ela.
        Na escola também era a maior confusão. Camilinha era muito boa aluna, mas nem sempre encontrava os trabalhos, e já perdera pontos uma vez, porque entregara um dever todo amassado.
        Um dia, a mãe dela se sentiu muito cansada e decidiu dar um basta naquilo. Esperou Camilinha chegar da escola e chamou-a para conversar.
        - Minha filha - disse ela - não é certo assim: você vive bagunçando tudo e eu vivo arrumando atrás. Você precisa aprender a colocar as coisas no lugar. Eu não tenho todo o tempo para arrumar suas coisas e, além do mais, se você arrumar, você vai encontrar mais fácil.
        - Mas daquele jeito, bagunçado, é o meu jeito de arrumar, mamãe! -
        Disse ela, rapidamente.
        - Mas se eu não arrumar para você, você não vai encontrar o que quer. Você diz que daquele jeito está bom, porque eu sempre estou arrumando para você.
    - Não é não, mamãe. Se a senhora não pode mais desfazer minha bagunça, não se preocupe, porque eu sei exatamente onde fica tudo.
        Desde aquele dia as coisas mudaram para Camilinha. Era ela que tinha que arrumar sua mochila todos os dias de manhã, se não, não ia para a escola. Algumas vezes, tinha de pedir emprestado alguma coisa para um amiguinho, porque descobria que aquilo de que ia precisar tinha ficado esquecido em cima da mesa. Mas o armário.... Ah, o armário era uma outra história...
        Um dia, todos os amigos de Camilinha foram convidados para irem a uma festa. Na hora de se arrumar para a festa, Camilinha se viu diante do seu armário todo bagunçado, as roupas umas por cima das outras, jogadas ali dentro. Foi muito difícil para Camilinha encontrar a roupa que ia usar, mas o pior aconteceu quando ela foi procurar os sapatos.
        Nada de encontrar os sapatos. A mãe de Camilinha a tudo assistia. Sentia pena dela, mas estava decidida a não fazer nada para ajudar, para que Camilinha aprendesse que não podia ser tão bagunceira assim.
        Depois de muito custo, ela encontrou os sapatos, que estavam embaixo das roupas de frio, e foi para a festa. Foi a última a chegar e perdeu a maioria das coisas gostosas de comer.
        Desde aquele dia, entretanto, ela aprendeu que não podia deixar tudo tão desorganizado. Aprendeu a respeitar sua mãe e não deixá-la ainda mais sobrecarregada e, daí por diante, foi bem mais feliz.

(História enviada por Vinicius e Esposa sem menção de autoria)

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A MASSA DE BOLO


Eduarda, de nove anos, morava em bairro bastante agradável da cidade. Na vizinhança tinha vários amigos e costumavam brincar na rua tranquila. Certo dia, eles viram chegar um caminhão de mudanças. Ficaram alegres ao ver um garoto mais ou menos da idade deles. Duda aproximou-se do menino e disse:
— Olá! Eu sou Eduarda. Eu e meus amigos brincamos aqui na rua. Quer participar?
— Se toca, garota! Não costumo ter amizade com gente como vocês. Vá procurar sua turma — resmungou irritado o garoto, com cara fechada.
Duda baixou a cabeça, chateada, e voltou para junto dos amigos, contando o que ele tinha dito. Todos ficaram tristes, pois nunca tinham encontrado alguém assim. Resolveram não se preocupar mais com o novo vizinho e voltaram a brincar. 
Porém, logo perceberam que não teriam mais paz no bairro. Desse dia em diante, tudo foi ficando mais difícil. O garoto, João, matriculado na classe de Duda, juntou-se com um bando de meninos do tipo dele, passando a criar problemas para todos os demais.
Duda e seus amigos não brincavam mais na rua, pois eles estragavam tudo. Cortavam a bola com canivete; se estavam lendo revista ou livro, eles rasgavam, depois saíam correndo. Tudo isso dando gargalhadas.


O bairro, antes tão agradável, passou a ficar triste, sem a alegria das crianças. Um dia, Duda voltou para casa e foi até a cozinha, onde sua mãe fazia um bolo. Ao vê-la, a mãe percebeu que estava triste e perguntou a razão.
— Ah, mamãe! Lembra-se daquele menino que mudou há pouco para cá? Ele é terrível! — respondeu a menina com lágrimas a lhe descerem pelo rosto.
E Duda contou à mãe o que estava acontecendo. A mãe ouviu, enquanto
continuava a mexer a massa do bolo. Depois disse:
— Filha, você já viu o que faz o fermento quando colocado na massa?
— Mãe!... — exclamou a menina indignada — Eu estou contando um problema e você vem me falar de bolo e de fermento?!...
— Duda, a massa e o fermento têm tudo a ver com seu problema. Jesus nos ensinou que um pouco de fermento leveda a massa toda, isto é, faz a massa crescer bastante. Porém Jesus queria nos ensinar que com nossos pensamentos, com nossas atitudes, podemos agir como o fermento, mudando a situação que estamos enfrentando!
— Entendi. Quer dizer que preciso achar um modo de mudar a situação. Mas como? — a garota murmurou e depois se pôs a pensar, calada.
— As pessoas que agem assim, com mau humor, violência, agressividade, geralmente são frágeis, guardam problemas sérios, e essa é a maneira de jogarem para fora o que sentem. Entendeu? — explicou a mãe.
— Sim, mamãe. Vou conversar com a turma e ver o que podemos fazer.
Mas no dia seguinte João não foi à escola. Nem nos outros dias. Preocupada, Duda resolveu ir visitá-lo. Chegando à casa dele, bateu palmas e uma senhora veio abrir.
— Bom dia! Eu sou Eduarda, colega do João na escola. Fiquei preocupada e vim saber o que está acontecendo com ele.
A senhora, que tinha expressão cansada, triste, abriu leve sorriso.
— Entre, Eduarda. João está doente. Venha até o quarto dele.
Ela disse que não precisava, só queria saber como ele estava. Mas a dona da casa insistiu e Duda entrou no quarto dele. Por dentro, estava tremendo de medo. Ao vê-la, o garoto ficou surpreso e mostrou certa satisfação. A mãe, alegando serviço, deixou-os a sós.
— Olá, minha vizinha. O que a trouxe aqui? Veio ver se eu já morri?
— Eu estava preocupada com você, João. Há dias não vai às aulas.
— Pois não precisava se preocupar. É só uma gripe. Também não me chame de João. Não gosto.
— E por quê? É um nome lindo! João foi o mais jovem apóstolo de Jesus, e era muito ligado ao Mestre. Deve ser por isso que seus pais lhe deram este nome!


— Não. É porque meu pai chama-se João. Por isso não gosto do meu nome.
— Pois acho que deve se orgulhar dele. Meu pai me contou que, após a crucificação, tudo ficou difícil para os seguidores de Jesus. Maria, sua mãe, ficou sozinha e foi morar longe com uns parentes. Alguns anos depois, João foi procurá-la e convidou-a a ir com ele para Éfeso, onde ele tinha conseguido uma casinha e trabalhava na divulgação dos ensinamentos de Jesus. Maria foi e ficou com João até o fim da vida.  
Quando Duda terminou de contar, João estava com os olhos úmidos.
— Linda história. Agora vejo que nada tem a ver com meu pai, que se irrita por qualquer coisa, e fica violento, bruto, e bate em todos que estão por perto.
Naquele momento, Duda notou as marcas que ele tinha nos braços, no rosto e sentiu muita pena. Lembrando o que a mãe dissera, ela repetiu:
— João, seu pai não deve ser assim porque quer. No íntimo, ele deve ter muitos problemas que não consegue resolver. Tenha piedade dele.
O menino olhou para ela e pegou na sua mão, dizendo:
— Eduarda, você não sabe o bem que me fez hoje. Estava péssimo e sinto-me bem melhor. Você me desculpa? Sei que a magoei bastante.
— Não tenho o que perdoar, João. Posso vir outras vezes?
— Claro! E traga seus amigos. Quero conhecê-los melhor. Se forem como você...
Duda sorriu e despediu-se, depois foi embora pensando: Quanto bem pode fazer um pouco de amor e de atenção. Mas todos naquela casa precisam de ajuda. A mãe é muito triste e o pai deve ter muitos problemas. Vou falar com meus pais. Quem sabe eles possam ajudá-los? O Senhor estava certo, Jesus. Um pouco de fermento é suficiente para fazer toda a massa crescer. Obrigada!
E de ânimo renovado Eduarda voltou para seu lar, onde havia amor e tranquilidade.
Entrando em casa, sentiu o cheiro de bolo que acabara de assar. Sorriu e pegou o pedaço de bolo que sua mãe lhe deu, dizendo:
— Obrigada, mamãe! O que não faz um pouco de fermento na massa, não é? 

MEIMEI
 
(Recebida por Célia X. de Camargo, em 8/07/2013.)      



domingo, 16 de setembro de 2018

A FORMIGUINHA PREGUIÇOSA

Tema: Valor do Trabalho, Livre-Arbítrio, Erro e Reparação

Num formigueiro já antigo morava uma formiguinha que, pelo seu desânimo e falta de atividade, recebeu o nome de Preguiçosa.
Enquanto suas companheiras saíam em busca do alimento, vigiavam as entradas e auxiliavam a rainha em seus múltiplos serviços, garantindo, assim, o bem-estar da comunidade, Preguiçosa apenas bocejava, dormia e dormia...


Uma coisa, no entanto, ela não perdia: a hora das refeições! Não saía para buscar comida, mas na hora de comer era a primeira a chegar.
O comportamento de Preguiçosa deixava a rainha muito triste. Por várias vezes chamou-a e aconselhou-a a se modificar e se integrar nas tarefas, mas ela apenas suspirava e continuava dormindo.
Pouco a pouco, as companheiras de Preguiçosa foram ficando descontentes:
- Por que só nós trabalhamos e ela descansa?
- Isso não é justo!
- Nós trazemos de longe o alimento e ela é a primeira a comer!
E o comentário foi-se espalhando, e o descontentamento crescia a cada dia que passava.
As operárias, contrariadas, relaxavam em suas tarefas. As carregadeiras não trouxeram mais alimento; as guardas retiraram-se dos postos e as serviçais da rainha se recusaram a comparecer ao seu gabinete.
Assim, desorganizado, o formigueiro, antes tão seguro e confortável, tornou-se um alvo fácil dos insetos inimigos, que o invadiram sem dó e destruíram vários abrigos, deixando vazio o depósito de alimentos.
Poucos dias de paralisação haviam bastado para estabelecer a confusão geral.
Assustada com o nível das dificuldades que enfrentava, a rainha reuniu todas as habitantes do formigueiro no pátio central e falou-lhes, em lágrimas:


- Minhas queridas companheiras, vejam a que fomos reduzidas por causa de um mau exemplo seguido! Sei que vocês ficaram insatisfeitas com a atitude de Preguiçosa, uma companheira que não soube agir corretamente, mas não podemos deixar que o desânimo de um afete o serviço do conjunto! Nosso formigueiro era tão feliz e harmonioso! Por que havemos de deixá-lo ficar agora assim, sem segurança e alimento?
A rainha fez breve pausa, durante a qual tentou controlar as lágrimas.
Nenhuma voz se ouvia na comovida assembleia, até que a rainha recomeçou:
- Sem vocês todas trabalhando, eu nada posso fazer!
E não pôde mais continuar, de tão emocionada.
Nesse momento e para sua surpresa, uma vozinha chorosa ergueu-se do silêncio e gritou:
- Perdão, minha rainha, pelo mau exemplo que dei! Confesso diante de todos o meu erro! Agora vejo os males que a preguiça e o desânimo podem causar!
Era Preguiçosa, a formiguinha dorminhoca, que agora impressionava a todos com seus soluços.



A rainha, também emocionada, falou-lhe:
- Minha querida filha, alegro-me com seu arrependimento e fico contente em saber que você reconheceu seu erro, contudo precisamos de algo mais além de lágrimas! Não quer você mesma auxiliar na reconstrução daquilo que o seu mau exemplo destruiu?
Ouviu-se, então, uma resposta trêmula, mas sincera:
- Sim! Trabalharei para ver tudo em ordem novamente!
Animadas e satisfeitas com a transformação de Preguiçosa, as outras companheiras logo formaram turmas de emergência e puseram mãos à obra.
Preguiçosa, que de preguiçosa agora só tinha o nome, era a mais ativa de todas. Trabalhava sem descanso em todos os setores, e tal foi a sua atividade que em poucos dias as casas estavam consertadas, o depósito de alimentos estava cheio e a guarda normal havia-se restabelecido.
Para a rainha, grande foi a alegria ao ver o formigueiro novamente em ordem e todos os seus habitantes satisfeitos, porém nada lhe agradou mais que a mudança da formiguinha dorminhoca.



Esta, agora, passara a chamar-se Trabalhadora Feliz, pois desde que se movimentou para garantir o bem-estar dos outros com seu trabalho, ela descobriu que isso lhe causava felicidade tal, que nem todos os dias de sono e de descanso jamais lhe haviam oferecido!

História retirada da apostila da FEB, Módulo 1, Primeiro Ciclo, coleção 4.



sábado, 1 de setembro de 2018

JANE E A INVEJA

Jane, de seis anos, gostava sempre de ter tudo para si. Como fosse a mais nova entre os irmãos, conseguia tudo no choro e nas lágrimas.


Nunca estava satisfeita com nada. Quando era o irmão que ganhava algum presente, ela imediatamente ficava brava, fechava-se no quarto de dormir, e de lá não saía até que alguém viesse buscá-la, levando-a para a sala. Ao chegar à sala, era comum Túlio, seu irmão, sempre ceder a benefício de Jane, que continuava chorando sem consolo.
Naquele dia ela já havia chorado bastante sem que ninguém tivesse se apiedado dela. Então, Jane aproximou-se do irmão e, abraçando-o, disse:
– Túlio, você é meu irmão e eu o amo muito! Mas você bem que poderia dar-me aquele presente que ganhou da vovó Marta, não é? Eu gostaria muito de ter algo igual!
E Túlio, olhando para a irmã, sem saber o que fazer, concordou:
– Está bem, Jane. Vou dar-lhe este presente que ganhei, porém é a última vez que isso acontece. Você é uma menina egoísta e só pensa em si mesma. Porém, não lhe darei mais o que eu ganhar, entendeu? Mamãe me disse que você abusa quando quer alguma coisa! Então, de outra vez não lhe darei nada. Vou-lhe dar o que me pediu, mas é a última vez, certo?
– Sim, Túlio. Eu entendi, obrigada!
Alguns dias depois, na escola, Túlio ganhou uma rifa e recebeu um urso de pelúcia que era uma lindeza!
Ao vê-lo, Jane aproximou-se dele, melosa, e pediu:
– Túlio, meu irmão, posso segurar um pouco seu lindo urso em meus braços? Só um pouquinho!...
– Está bem, Jane! Mas é só esta vez! Mas ele não é seu, é meu! Você entendeu?
– Entendi. Fique tranquilo – disse Jane, saindo da sala a sorrir.
Túlio, satisfeito por ter sido sorteado na rifa, não se preocupou com a irmã. Mais tarde, ele se lembrou do brinquedo que ganhara pela manhã e foi até o quarto de Jane pedir a devolução dele.
– Túlio, deixe-me brincar mais um pouco! Não vou estragá-lo, acredite!
E Jane pediu tanto que o irmão saiu do quarto de Jane, deixando-a a brincar toda satisfeita. Mais tarde, ele voltou a buscar o urso e, chorando, a irmã disse que o cachorro da família havia estragado o urso de pelúcia.
Muito chateado, Túlio foi reclamar para a mãe, que o acalmou, e depois disse que iria comprar outro brinquedo para ele.  


Naquele mesmo dia, a mãe comprou para ele um lindo carro vermelho, que tocava a buzina! Cheia de inveja, Jane começou a chorar de raiva. A mãe colocou-a no colo e explicou:
– Logo você fará aniversário, Jane, e ganhará presentes; todavia, agora foi Túlio que fez aniversário e é justo que ele ganhe presentes!
Jane sentiu tanta raiva que não parava de chorar. A mãe pegou-a no colo e conversou com ela, afirmando que logo seria sua vez de ganhar presentes e ter uma festa. Faltam apenas 10 dias para seu aniversário. A menina acalmou-se e logo estava brincando de novo.
Ao despertar no dia de seu aniversário, Jane recebeu um abraço do seu irmão, acompanhado de um brinquedo que ele ganhara e de que ela gostara muito.
– Eu não disse que era para você ter paciência, Jane? Aqui está seu presente! Felicidades, minha irmã!
– Peço-lhe perdão, Túlio! Você é muito generoso. Obrigada! Nunca mais vou fazer o que fiz com você.
E, levantando-se, deu um abraço bem apertado em Túlio. E, a partir desse dia, Jane aprendeu a lição e nunca mais brigou com Túlio, entendendo que tudo tem um momento certo na vida, e que devemos esperar com paciência a nossa vez de sermos atendidos.
                                      MEIMEI
Recebida por Célia Xavier de Camargo em 25/9/2017. 


sábado, 28 de abril de 2018

A OCIOSIDADE


  


Quando em pequenos, meu irmão e eu éramos vadios e preguiçosos. Todo pretexto nos servia para faltarmos com nossos deveres, cabular aulas e ficar vagabundeando pelos pomares, campos ou quarteirões da cidade onde vivíamos.
    Evidentemente nossos pais se aborreciam com aquilo, mas, em lugar de nos castigar ou partir para uma agressão física, esperavam o momento certo para nos advertir mais seriamente, sem saírem do tratamento amorável e paciente que nos dispensavam.
    Esse momento chegou quando, em certo dia, depois do almoço, nos preparávamos para mais uma vadiagem. Nossa mãe não se dirigiu a mim, mas a meu irmão.
    Desconfiado e expectante, fiquei a esperar pelo que se ia dar. Em seu tom de voz habitual e como que ocasionalmente, ela disse:
    _ Meu filho, será que você me poderia fazer um favor?
    _ Pois não, mamãe!
    Eu percebia que meu irmão também não estava seguro do que se ia dar.Mamãe prosseguiu:
    _ Eu gostaria que você fosse até àquele terreno baldio e viesse me contar o que existe ali.
    O terreno ficava quase em frente à nossa casa e nós o conhecíamos muito bem, pois servia aos nossos constantes lazeres. Entretanto, mesmo assim ele atendeu e poucos minutos depois voltava.
    _ Mamãe, ali só existem lixo e porcaria. Metais enferrujados, papéis, vidros quebrados, arames, garrafas. Nada que se aproveite.
    Como se não tivesse ouvido a última observação, mamãe perguntou:
    _ Mas, não haverá uma serventia para aquelas coisas?
    _ Ah! Mamãe, está claro que não.
    Voltando-se para mim ela pediu:
    _ Agora você, meu filho. Vá até o portão do jardim e venha me contar o que existe nos outros terrenos.
    Aquilo também era claro, mas, como meu irmão, obedeci. E voltei logo, dizendo:
    _ Nos outros terrenos há casas, pomares e jardins.
    _  Que coisa! disse mamãe pensativa. Por que será que se acumularam tantas coisas inúteis no terreno baldio?
    Eu e meu irmão, triunfantes, respondemos quase que ao mesmo tempo:
    _ Ora, mamãe, porque ele está vazio.
    _ Pobre terreno! Exclamou mamãe. Não sendo aproveitado para nada, transformou-se em depósito de lixo. Isso dá o que pensar, pois é como os dias de nossa vida. Se não soubermos aproveitá-los, vão se enchendo de coisas inúteis. Uma vida ociosa é como um terreno baldio: recolhe tudo o que ruim e imprestável. É por isso que na vida do homem trabalhador, que sabe encher bem os seus dias, não há lugar para os vícios, maldades e enganos de qualquer espécie.
Mamãe não tinha terminado ainda de dizer e meu irmão e eu já nos entreolhávamos rubros de vergonha.
       É escusado dizer que nos modificamos. E, ao longo dos anos, em diversas circunstâncias da vida, quando se nos apresenta qualquer oportunidade para a ociosidade nos lembramos daquele terreno vazio, cheio de papéis velhos, cacos de vidros e lixo. Tudo inaproveitável.

    (Rodrigues, Wallace Leal V.. in: E, Para o Resto da Vida...)


JOGO DA ASSOCIAÇÃO


Recorte os cartões e espalhe-os sobre uma mesa grande. As crianças deverão relacionar o profissional a seu instrumento de trabalho.

Pode haver mais de uma associação correta.