segunda-feira, 13 de julho de 2015

CURSO DE CAPACITAÇÃO DE EVANGELIZADORES



            Existem certas características que favorecem o evangelizador para que ele possa servir de intermediário entre o conhecimento inato do evangelizando e o conhecimento adquirido de maneira sistemática na Doutrina Espírita. Por isso, é importante ter a consciência que, em Espiritismo, a ciência indaga, a filosofia conclui e o evangelho ilumina.

 1-  Conheça os conteúdos doutrinários:
            A melhor maneira de se conhecer a Doutrina Espírita é através da participação nos Grupos de Estudo Sistematizado. Infelizmente, nem todas as casas proporcionam ao evangelizador, e aos demais trabalhadores, a participação em Grupos de Estudo, às vezes por falta de trabalhadores para dirigir estes grupos, por falta de espaço físico e até mesmo porque a Direção da Casa não acha necessário Grupos de Estudo. Porém, o evangelizador tem que ter em mente que, para que ele possa evangelizar, tem de evangelizar a si mesmo e estudar as obras básicas da Doutrina Espírita.  E nos Grupos de Estudo existe uma troca de informações, esclarecimento de dúvidas e de entendimentos equivocados que ocorrem quando se estuda sozinho.
            Sempre que possível o evangelizador deve participar de Cursos de Preparação e Aperfeiçoamento de Evangelizadores. Se achar (equivocadamente) que não tem nada a aprender, com certeza tem muito a oferecer, pois sempre há troca de experiências. Sempre se pode oferecer uma palavra de incentivo, de ânimo e contar experiências para os evangelizadores que estão iniciando na tarefa.
            Também são importantes as leituras edificantes, as palestras públicas e as leituras complementares.

2- Seja um referencial de comportamento ético, à luz dos ensinamentos de Jesus
            O evangelizador deve ter atitudes éticas e morais não só no Centro Espírita, mas na sociedade, na família, no trabalho, no trato com os amigos.  É verdade que ninguém é perfeito, mas reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral.
            Se perceber que está errado em alguma atitude ou que pode melhorar, por que não tentar se melhorar? Não vai ser de um dia para o outro, mas com certeza se fizer um pouquinho de esforço conseguirá iniciar a reforma íntima.
            Exercitar a paciência e o amor, todos os dias. Por exemplo: sempre há crianças e jovens que vão se diferenciar dos outros, seja por um comportamento mais agressivo, mais rebelde, que queiram chamar mais a atenção sobre si. Porém, o que essa criança ou esse jovem precisa é um pouco mais de carinho, de amor, de paciência e não de rótulos que vão evidenciar ainda mais as suas atitudes.
“O espírita não é melhor do que ninguém, mas tem a obrigação de ser melhor do que é”.    Emmanuel

3- Esteja convencido de que a Evangelização Espírita irá contribuir para a transformação moral da humanidade
            Será que todos evangelizadores realmente acreditam nisso? Não é, porém, uma melhora instantânea, é gradativa. São sementes que se plantam e que vão frutificar um dia, nesta encarnação ou nas próximas. Evangelizar é uma oportunidade de trabalhar acreditando nisso, esforçando-se para ser um excelente evangelizador. Não há dinheiro que pague a certeza de estar colaborando para um mundo melhor ou que pague o valor de um sorriso, de um beijo de agradecimento.

4- Tenha entusiasmo pela tarefa
            Devemos parar e pensar: por que evangelizamos? Não deve ser porque alguém quer, pelo título de evangelizador, pela pressão do grupo, dos amigos ou da família. Ninguém faz um favor para o Grupo Espírita quando evangeliza. É uma oportunidade de construir um mundo melhor e se melhorar espiritualmente, pois quem ensina é o primeiro que aprende.
            É essencial ter a certeza de que estamos colaborando na divulgação da Doutrina que acreditamos e preparando um futuro melhor para a humanidade. E ter amor pela tarefa. Fazer o que pode, qualquer um faz. Fazer o seu melhor é o que deve ser feito, afinal, afinal, cada evangelizador é um Trabalhador de Jesus.

5- Seja flexível e receptivo à aquisição de novos conhecimentos
            Querer saber sempre mais! Afinal, cada um tem muito a aprender sobre diversos assuntos.
            É importante conhecer e entender as mudanças que estão ocorrendo na sociedade, os fatos do mundo (ler ou assistir um jornal).
            Saber o que as crianças de hoje gostam, que programas assistem, que brincadeiras as divertem (mudou muita coisa nos últimos cinco, dez, vinte anos).
            A aquisição de novos conhecimentos gerais e doutrinários visa à melhora como indivíduos, como seres humanos, como espíritos em evolução. Mas é importante aprender e colocar em prática, porque aprendizado sem aplicação é apenas memorização de conteúdos.

6- Tenha uma visão integrada do Currículo de Evangelização e de sua inserção no Movimento Espírita
            Conhecimento geral do conteúdo a ser desenvolvido, para melhor dividir os assuntos durante o ano, e falar de cada assunto sem desvios doutrinários, sempre de acordo com O Livro dos Espíritos.
            Dar exemplos e explicar os assuntos na linguagem da criança, de acordo com o ciclo e a idade para facilitar o aprendizado.
            Boa vontade não é suficiente para ser evangelizador. É preciso conhecimento doutrinário. São proibidos os achismos (eu acho que...), a regra é o estudo e a qualificação dos trabalhadores.
            Às perguntas difíceis das crianças, que não souber responder, não ter vergonha de dizer: não sei. Mas pesquisar e trazer a resposta na próxima aula.
            É importante o estudo prévio e a preparação das aulas, bem como o conhecimento do conteúdo da aula (a criança sente quando a aula é no improviso, sem preparo prévio).
            Os responsáveis pelos Centros, Grupos, Casas ou Núcleos espiritistas devem mobilizar maior empenho e incentivo, enviando esforços para que a evangelização de crianças e jovens faça evidenciar os valores da fé e da moral nas gerações novas.  É necessário que vejam com simpatia e apreço a tarefa dos evangelizadores, sobretudo como um trabalho integrado nos objetivos da instituição e jamais como atividade à parte.

7- Saiba escolher metodologias que possibilitem ao evangelizando construir, elaborar e expressar seu conhecimento
            O evangelizador não pode fazer das aulas um monólogo. Levar a criança a concluir por si mesma o que é certo ou errado, o que é lógico. Sempre procurando colocar os temas abordados na linguagem e no mundo que a criança vive.
            Os evangelizadores têm certa dificuldade para falar sobre datas como Natal, semana santa, Páscoa, que com o passar do tempo se tornaram comércio, troca de bens materiais. Por exemplo, na época da Páscoa: a criança passa em torno de uma semana pintando ovos, cesta de coelho e na Evangelização tem-se em torno de uma hora para explicar o que a Doutrina Espírita esclarece acerca do significado da Páscoa: Páscoa significa passagem. Era um a festa que o povo hebreu fazia para comemorar a passagem pelo mar vermelho guiado por Moisés para longe da escravidão. Depois que Jesus esteve na terra, os cristãos lembram durante a Páscoa que Jesus, depois da morte do seu corpo físico, reapareceu, em espírito, aos apóstolos e amigos. Ele mostrou que as pessoas são formadas de corpo físico e espírito e que a vida continua, em espírito, em outra dimensão. Pode-se fazer uma atividade que faça desabrochar os sentimentos, como por exemplo um cartão com sentimentos positivos. É importante que a criança não saia frustrada da aula porque não ganhou ovos de chocolate.
            A criança precisa de motivação para aprender, e gosta de novidades. Por isso, o evangelizador deve ser criativo, evitando repetir as técnicas, mesmo que elas gostem. A criança tem boa memória e cobra novidades.
            Se convidar alguém para falar sobre determinado assunto, o evangelizador deve se envolver com a aula (exemplo: alguém par contar a história de Moisés – pode vir vestido de Moisés e contar como se fosse a história de sua vida). Mas o evangelizador vai providenciar o material necessário para pesquisa, auxiliar o convidado, preparar as crianças para receber a visita, se envolvendo com a aula e o conteúdo.
            Devem ser evitados os exemplos pessoais, ter muito cuidado com isso. Não falar de si mesmo, de como era quando criança, para não personalizar o ensinamento.

8- Tenha sensibilidade para se avaliar, considerando seu papel de mediador entre o conhecimento, o aluno e sua realidade;
            Na tarefa de evangelizar o trabalhador é influenciado pelo Plano Espiritual, pelos irmãos esclarecidos e os não tão esclarecidos. Por isso é importante estar em sintonia com bons amigos espirituais que estão encarregados de auxiliar na tarefa.  
            Para se entrar em sintonia com os espíritos superiores é necessário a prece, vigilância das atitudes e trabalho no bem.
            Deve-se procurar estabelecer um horário para fazer as aulas; se trabalhar em dupla, não deixar o companheiro esperando; se não puder ir por algum motivo importante, avisar com antecedência.  Importante trabalhar em harmonia, ser amigo, dividir as tarefas. Esses alertas são necessários porque a espiritualidade também se organiza para auxiliar, sendo essencial o preparo de cada evangelizador.
            A tarefa de evangelizar é muito importante para ser realizada na improvisação, ao acaso ou nas dependências do momento.

Sugestão de conclusão:

Colocar uma música suave de fundo e ler o texto abaixo
            Peço a vocês que procurem fechar levemente os olhos, deixem a música penetrar por todo o seu corpo. Podem respirar profundamente, sentindo a energia positiva que nos envolve a todos nesse momento. Sintam que seus sentimentos mais profundos de amor, amizade, fé, caridade, paz estão desabrochando, tal como as flores que nos encantam com seu perfume e sua beleza. Sintam o seu coração batendo suavemente.
            O amor e a responsabilidade são qualidades essenciais ao evangelizador para que ele adquira as demais.  O amor é condição sem a qual não é possível promover a Evangelização Espírita das novas gerações.  O fato de alguém dedicar suas horas de descanso a um trabalho não remunerado, feito no anonimato e sem outra gratificação que não seja o prazer de servir, nos comprova que é por amor à criança e ao jovem que alguém se torna evangelizador.
            Nós sabemos que dificilmente alguém vai ter todas as características necessárias para evangelizar e nem podemos esperar adquiri-las para nos tornarmos evangelizadores, porque então não haverá evangelização infanto-juvenil em lugar algum.  É importante que tenhamos a consciência que através do nosso esforço e boa vontade temos condições de nos melhorarmos gradativamente, cada dia um pouquinho.
            Evangelizar é dar, repartir com o próximo a alegria, a paz, a vida que encontramos no Cristo. Quem evangeliza pode, pelo trabalho, encontrar a alegria, a paz e o Mestre Jesus."



 Quais são os pré-requisitos para Evangelizar?

Além de estar freqüentando o Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita e ter disponibilidade de horário e responsabilidade para a atividade proposta, cabe salientar as características do evangelizador, segundo Helena Bertoldo da Silva, Coordenadora do Setor de Infância do DIJ/FERGS.

         
Amor - o amor, sendo o sentimento por excelência, é condição primeira para a tarefa de evangelizar;

         
Conhecimento doutrinário - o evangelizador vai ensinar (facilitar) o conhecimento espírita, portanto, ele tem que conhecer os postulados doutrinários, para tanto, além do esforço individual, na busca desse conhecimento, deve freqüentar o Grupo de Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (ESDE) em uma Casa Espírita;

         
Exemplificação - o evangelizador deve vivenciar ou, pelo menos, lutar para vivenciar os ensinos de Cristo, porque o exemplo ainda é o melhor argumento e para que o ato de evangelizar não se vulgarize no "faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço", é importante que o evangelizador seja para a criança e o jovem modelo de vivência daquilo que ele ensina;

         
Consciência da tarefa - é importante que o evangelizador esteja convencido de que a Evangelização é um meio de educação da geração futura, e que o ato de evangelizar exige que ele se qualifique cada vez mais;

         
Entusiasmo - é fundamental que o evangelizador esteja totalmente envolvido no processo da Evangelização, cativado por esse processo ele terá que "transbordar" entusiasmo, no falar, no agir, no olhar, no vivenciar, etc;

         
Ser flexível, receptivo - o evangelizador, em nenhum momento, deve ter a pretensão de que tudo sabe, que faz o melhor e que já está "pronto", mas deve estar aberto, receptivo a novos conhecimentos, aceitar a avaliação do seu trabalho, ser flexível às mudanças, quando se fizerem necessárias. É imprescindível que o evangelizador busque continuadamente aprimorar-se;

         
Conhecer o Currículo - sendo o Currículo para as Escolas Espíritas de Evangelização Infanto-Juvenil, rumo norteador da Evangelização Espírita, o evangelizador deverá conhecê-lo e saber a função do mesmo e da sua inserção no Movimento Espírita;

         
Saber escolher metodologias adequadas - é importante que o evangelizador conheça as metodologias que possibilitem ao evangelizando a elaboração e a construção do seu conhecimento; noções de didáticas, técnicas de ensino, psicologia, literatura, música, teatro auxiliam no desempenho da tarefa;

         
Saber avaliar - a avaliação é primordial em todo e qualquer processo e não poderia ser diferente na Evangelização. O evangelizador deve avaliar, sempre, a si mesmo e ao evangelizando, fazendo o feed-back, retomando (se necessário) por novos caminhos, para alcançar os objetivos propostos no seu planejamento;

         
Auto-aprimoramento - o evangelizador não deve descuidar da sua transformação moral, buscando conhecer-se através de auto-avaliação e, dentro da orientação cristã, detectar suas tendências viciosas e lutar para transformá-las em virtudes.



         "(...) Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos."
Comentário de Allan Kardec em O Livro dos Espíritos, questão 685.

Fonte: searadomestre.com.br
“Que a luz racional de Kardec, somada à luz do amor de Jesus,
sejam as forças fundamentais de nossos trabalhos espírita-cristãos.”
Walter Barcelos, no livro Vivendo, Amando e Servindo.



























Nenhum comentário:

Postar um comentário