quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

OBEDIÊNCIA



















LINDINHO

Era uma vez um gatinho preto chamado Lindinho. Era mesmo um gatinho lindo. O focinho era branco, a pontinha do rabo era branca, as quatro patinhas eram brancas e, ao redor do pescoço, havia uma lista branca como se fosse um colar.
- Eu devo ser muito bonito – rosnava ele. – naturalmente é por isso que me chamam Lindinho.
- Miau... – chamou a mãe outra vez. – vamos, vamos.... mas fiquem perto de mim e cumpram as minhas ordens.
Tatá e Tutu começaram a andar ao lado da senhora gata. Porém Lindinho caminhava distante, olhando as moitas de capim, uma coisa e outra.
-Miau – ralhava a mãe – se você não andar conosco e depressa, você pode perder-se ou assutar-se com alguma coisa.
- Miau – respondeu ele – eu sou bastante esperto. Não vou me perder nem me assustar.
A senhora Gata ficou calada. Mas sabia que ele iria aprender uma lição bem dura, antes de voltarem para casa. Finalmente, a família chegou ao arroio. A água estava bem na beirinha do barranco e os peixinhos nadavam descuidadamente.
-Miaua – recomendou a mãe – agora fiquem bem quietinhos, não muito na beirada, porque o barranco está escorregadiço e vocês podem cair na água.
Enquanto Tutu e Tatá sentavam-se quietos ao lado da mãe, Lindinho, que se julgava muito esperto, andava de cá pra lá.
- Miau – disse dona Gata – vejam como eu faço para buscar um peixe.
Lindinho percebeu, então que estava muito longe da mãe para aprender, mas ainda pensou: “Não faz mal; esperto como eu sou posso aprender daqui mesmo.”
Num instante, dona Gata pegou um peixinho e o deu a Tatá; depois pegou outro e o deu a Tutu. Lindinho não pôde mais se conter e resolveu correr para perto da mãe. Antes, porém, olhou para a água e viu dois peixinhos nadando satisfeitos. Então tentou pegar um com a patinha, mas escorregou e – plaft! – caiu de cabeça, mergulhando na água. Lindinho debatia-se desesperadamente. Sentia a água na boca, nos ouvidos, nos olhos, e não sabia o que fazer. Finalmente, surgiu à tona e sentiu que alguma coisa o puxava para fora. Era dona Gata que começou a enxugar a água dos olhos, do focinho... E ele estava tão fraco e assustado que precisou deitar-se um pouco para refazer as forças e poder ficar de pé. Quando conseguiu levantar-se, estava horroroso, com o pelo todo molhado, grudado ao corpo, enquanto os irmãozinhos estavam lindos, com o pelo enxuto e macio.
- Miau – disse mãe Gata, zangada – vamos embora, quando você criar juízo, ganhará seu peixinho.
Em seguida voltaram para casa, dessa vez, porém, Lindinho não se separou da mãe.
(Coleção Conte Mais – vol 1 – FERGS – PG 141)

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