terça-feira, 21 de agosto de 2012

VIDA DE PAULO





CAPÍTULO II

 Evolução Espiritual



                        O malfeitor tomou a bolsa de dinheiro que Sergio Paulo dera a Jesiel e teria matado o jovem grego, não fora a doçura com que lhe falou Jesiel, entregando-lhe sem resistência o dinheiro e perguntando-lhe se não saberia de algum lugar onde ele, Jesiel pudesse abrigar-se.

                        O assaltante levou-o á casa de um dos adeptos do “Caminho”  como eram conhecidos os primeiros cristãos. Jesiel foi tratado com tanto carinho pelo dono da casa que se surpreendeu. Perguntando a razão de tanta bondade, disseram-lhe que o Cristo ensinara que assim se deveria proceder. O moço ficou admirado, pois nunca ouvira falar de Jesus, o meigo rabi da Galiléia, que viera ao mundo para ensinar o caminho do reino de Deus.

                        Devido á gravidade da sua febre, Jesiel foi conduzido á Jerusalém, á casa dirigida por Simão Pedro, onde eram acolhidos numerosos doentes e necessitados. Ali passou duas semanas inconsciente, entre a vida e a morte, tratado com amorosa atenção por João e, especialmente por Simão Pedro. Com os cuidados recebidos, Jesiel começou a apresentar melhoras, e ao observar o trabalho incessante e o carinho de Pedro junto aos enfermos, sentiu imensa afeição pelo novo amigo.

                        Certa manhã, Pedro falou de Jesus ao moço grego, que ficou muito admirado pois não ouvira falar que o nosso mestre Jesus já estivera na terra, entre os homens. Contou que fora ele o messias prometido e Jesiel, comparando as palavras de Pedro com os ensinamentos do profeta Isaias sobre os sofrimentos pelos quais passaria o Mestre esperado, compreendeu que de fato, Jesus deveria ter sido o Messias (que significa pessoa muito esperada).

                        A evolução de seu espírito permitiu-lhe em um momento, o que muitos outros não conseguiram entender em uma ou em diversas vidas. Pedro fez-lhe das anotações de Levi (Mateus), que o jovem grego leu com muito interesse e que, graças á sua evolução espiritual, entendeu sem dificuldades. Aquelas palavras penetraram-lhe na alma, dando-lhe novas luzes ao espírito e ampliando-lhe a compreensão. Jesiel, que já conhecia o velho testamento, passava a conhecer agora o Evangelho de amor trazido por Jesus.

                        Cheio de confiança, Jesiel contou a Pedro tudo o que lhe havia acontecido. A conselho de Pedro, escolheu o novo nome de Estevão, a fim de não prejudicar Sergio Paulo, o romano que o salvara, e passou a trabalhar na casa do Caminho. Estudava e servia.

                        Enquanto tratava dos enfermos, consolava-os com a sua palavra iluminada. Ao cair da tarde, ao término das tarefas diárias, falava a todos os que freqüentavam a Casa do Caminho  e seu nome começou a ser conhecido, pela inspiração sublime de suas palavras, reavivando em todos os espíritos a chama da fé ardente nos ensinamentos de Jesus.

                        Falaremos a seguir, sobre alguém cuja vida teve grande relação com a de Estevão....






CAPÍTULO  III

Orgulho


                        Voltemos alguns anos atrás e façamos uma viagem á cidade de Tarso. Essa cidade tinha grande valor para os romanos, que dominavam o mundo naquela época, porque era um lugar onde faziam muitos negócios e também porque os estudos naquela cidade eram bastante adiantados. Por esse motivo, os romanos resolveram dar a todos os que nascessem em Tarso o direito de serem considerados cidadãos romanos, isto é, dar a eles os mesmos direitos dos que tivessem nascido em Roma. Foi assim que um menino judeu, de nome Saulo, nascendo na cidade de Tarso, recebeu o direito de ser considerado cidadão romano.

                        Desde pequenino, como era comum entre os judeus, Saulo aprendeu uma profissão, a de tecelão. Freqüentou em Jerusalém, a escola de Gamaliel, um dos mais sábios mestres de Israel, e dele aprendeu lições maravilhosas, no contato constante com os escritos de Moisés e dos profetas. Estudioso, de caráter firme e resoluto, Saulo tornou-se conhecido e respeitado como doutor da lei, não encontrando quem o superasse como grande orador. Tinha ele, no entanto, um exagerado orgulho dos ensinamentos de Moisés.

                        Quando homem encontrou em Jope, cidade próxima a Jerusalém, uma jovem que lhe atraiu a atenção pela formosura de seu rosto e de seu espírito. Tratava-se de Abigail, a irmã de Jesiel, que juntamente com a família que a recolhera, havia ido morar em Jope. Abigail ignorava que o irmão se salvara e mudara de nome, estando não muito longe dela em Jerusalém.

                        Encontrando em Abigail os dotes que desejava em sua futura esposa, Saulo pediu-a em casamento.

                        Ouvindo falar das pregações de Estevão, Saulo levado por amigos, foi visitar a “Casa do Caminho”. Nesta ocasião, Estevão fez inspirada pregação sobre Jesus, apresentando-o como Messias prometido. Saulo se revoltou, pois considerou ser isso um desrespeito á lei de Moisés e começou a discutir com Estevão.

                        Este, porém, cheio de fé, suplantou o jovem doutor da lei, o que fez com que humilhado, Saulo mais se enfurecesse. Deixou a casa, prometendo vingar-se e, de fato, fez com que Estevão fosse chamado diante do Sinédrio (tribunal israelita) para responder á acusação de desrespeito á Lei de Moisés.

                        Pela sua sinceridade e esclarecimento de seu espírito, Estevão fez com que os próprios membros do sinédrio e assistentes se admirassem ante suas palavras. Apesar de procurar esclarecer a todos os corações, Estevão foi condenado á morte por apedrejamento.


CAPÍTULO IV



Dor, a grande mensageira.
Mostrar a dor como mensageira de Deus, para despertar os corações.


                        Entre aqueles que ficaram impressionados com as palavras de Estevão estava Gamaliel, o grande mestre israelita, que fora professor de Saulo. Convidado por Simão Pedro, Gamaliel resolveu visitar a “Casa do Caminho”. Aí, além de verificar o carinho que os humildes servidores de Jesus tinham pelos necessitados, Gamaliel teve a surpresa de encontrar um velho conhecido que tendo ficado leproso fora abandonado pela família.

                        O amigo de Gamaliel tinha sido rico proprietário na Samaria, mas os próprios filhos haviam lhe tirado toda a fortuna e o deixado na miséria. Doente e só, teria perdido toda a fé em Deus e nos homens, se não tivesse sido recolhido á “casa do caminho”, onde os ensinamentos do Mestre eram postos em pratica. Naqueles corações, que há pouco lhe eram desconhecidos, o velho leproso encontrou todo o amor e dedicação que a própria família lhe negara.

                        Os apóstolos lhe falaram de Jesus e o fizeram compreender que, quando sofremos, temos mais facilidade em entender as verdades espirituais. Disseram-lhe que o meigo Rabi havia prometido o consolo e paz aos que se encontravam atormentados e tristes e que Ele próprio não hesitara em aceitar os maiores sofrimentos por amor á humanidade.

                        O coração do leproso, trabalhado pela dor, sentiu que de fato, Jesus era o Messias prometido. Que enquanto os outros falavam,. Ele fizera o que ensinara. Que os seus discípulos seguiam as mesmas lições de amor, como haviam demonstrado para com ele próprio, recolhendo-o e amparando-o. Compreendeu que era membro da família mais ampla, a humanidade, e que seu irmão e Mestre era Jesus.

                        Tudo isto o velho leproso disse a Gamaliel, que naquele instante, compreendeu a força daquele Jesus que triunfava nos corações dos humildes pelo amor desinteressado que lhes dava e pela nova esperança que lhes trazia. Uma reviravolta se operava nos sentimentos do professor de Saulo, que já se sentia docemente atraído por Jesus, se bem que não pudesse compreendê-lo inteiramente. Faltava-lhe talvez, o sofrimento e a solidão, para que Jesus pudesse lhe falar mais de perto á alma. Simão Pedro deu a Gamaliel uma copia das anotações de Mateus sobre o evangelho de Jesus, que o velho professor prometeu estudar cuidadosamente.

                        Iniciaram-se nesta época, as primeiras perseguições aos seguidores de Jesus. Pedro, João e Felipe foram aprisionados, ante o desespero dos pobres infelizes amparados por eles. Deveriam os três juntamente com Estevão, ser condenados á morte por apedrejamento, quando Gamaliel resolveu interferir em favor deles.

                        Apelando para a generosidade do coração de Saulo, que tão bem conhecia e, depois de muitos argumentos, conseguiu que por amor e respeito a ele, Gamaliel, Saulo desistisse de fazer com que os três apóstolos fossem condenados á morte. Quanto a Estevão, Saulo não cedeu. Seu orgulho foi mais forte do que a generosidade de seu coração e seu respeito e amor pelo antigo professor. Estevão deveria morrer como exemplo àqueles miseráveis seguidores do carpinteiro de Nazaré, que ousavam dizer que o seu Jesus era superior a Moisés. No dia marcado, Estevão foi conduzido ao lugar do apedrejamento. Mas......

CAPÍTULO  V

Perdão


                        No dia indicado, Estevão foi conduzido ao local do apedrejamento. Apesar de Abigail não desejar assistir a uma cena daquela espécie, Saulo insistiu para que a noiva o acompanhasse ao apedrejamento do primeiro mártir cristão, sem saber que a convidava a assistir á morte do próprio irmão.

                        A multidão aos gritos, espancou e feriu o jovem cristão. Com os olhos cheios de lágrimas, Estevão recordou os sofrimentos de Jesus, que fora também ferido e humilhado. Quando as pedras lhe atingiram o corpo, Estevão sentiu como se forças invisíveis o amparassem. Sua expressão serena impressionava mesmo os mais indiferentes. Enquanto a dor tomava o corpo, parecia a Estevão que duas mãos carinhosas lhe suavizavam os sofrimentos.

                        Os olhos maravilhados de Estevão viam, nesse momento, a legião de mensageiros celestiais que o esperavam do outro lado da vida. Viu também Jesus, que de braços abertos, lhe aguardava o espírito. Foi assim que o jovem grego sorriu docemente, de modo incompreensível para os homens que lhe assistiam a morte.

                        Nesse instante, Abigail reconheceu no condenado o irmão querido, de quem se encontrava separada. Saulo mandou que se transportasse o moço moribundo para um gabinete onde a jovem o tomou nos braços e dele ouviu as ultimas palavras. Jeziel ainda teve forças para dizer a Abigail que a alma é imortal, que do lugar para onde iria a acompanharia sempre e que, em nome de Jesus, de quem ela nunca ouvira falar, era preciso que se perdoe a todos e que ele, Jesiel, partia feliz, perdoando aqueles que o tinham perseguido.

                        Diante do fato de ser Abigail irmã do condenado, Saulo abandonou a noiva, sentindo que se desfaziam seus melhores planos de futuro. Embora a contra-gosto reconhecia a superioridade moral de Estevão, que dela dera provas. Porém ainda lutava ferozmente contra a influencia do Mestre Nazareno.

                        Por ordem de Saulo, os seguidores de Jesus foram presos, espancados e perseguidos. Os soldados por sua vez, foram além das ordens recebidas e torturaram e mataram impiedosamente os cristãos.

                        Incapaz de compreender que era ele mesmo o culpado dos sofrimentos pelos quais estava passando, Saulo procurava responsabilizar aquele Jesus desconhecido pelos últimos acontecimentos que lhe haviam contrariado a vontade. Depois de meses de luta consigo próprio, resolveu procurar Abigail. Soube então, que ela estava tuberculosa e o que para ele foi pior, era cristã. Abandonada pelo noivo, abalada pela morte do irmão, Abigail adoecera irremediavelmente.

                        Em seu sofrimento, fora visitado por um ardoroso discípulo de Jesus, o bondoso velho Ananias, que lhe falara do Mestre. Um novo sentimento invadiu a alma triste e sensível da jovem, que encontrou na vida e nos ensinamentos do Mestre Galileu a fonte de consolo e de fé de que tanto necessitava.
                        Foi assim que Saulo a encontrou. Qual será a sua atitude? O orgulho vencerá novamente?
  



CAPÍTULO VI

Arrependimento

OBS : O Evangelizador pode nesse momento, recapitular toda a estória.


Vencendo seu orgulho, Saulo suplicou á noiva que o perdoasse. Ela lhe respondeu com palavras cheias de afeto, deizendo não ser necessário perdoá-lo, pois nunca deixara de lhe querer bem. Saulo comoveu-se com tanta grandeza de coração, mas não foi possível a Abigail faze-lo aceitar suas palavras sobre Jesus. Prometeu-lhe ela estar sempre junto ao jovem rabino e falou-lhe ainda na vida eterna, com Jesus. No dia seguinte, a irmã de Estevão morria suavemente, ante o desespero terrível de Saulo, que não conseguia conformar-se.

Profundamente abatido, Saulo resolveu aumentar a perseguição contra os cristãos. Para isso, pôs-se a caminho da cidade de Damasco, com ordens oficiais contra os cristãos daquela cidade. Desejava principalmente, vingar-se de Ananias que ali morav, por ter sido responsável pela conversão de Abigail aos ensinamentos de Jesus.

Era meio-dia. Muito ao longe avistava-se a cidade de Damasco. Montado em seu camelo, Saulo seguia a frente da pequena caravana. Meditava em sua vida sem finalidade e em todos os acontecimentos em que se encontrara com os seguidores de Jesus, o carpinteiro da Galileia. De súbito, dando um grande grito, o jovem doutor da Lei caiu do animal. Repentina luz deslumbrou-lhe os sentidos, e do próprio horizonte, pareceu destacar-se uma figura de homem, de beleza indescritível.

Os olhos, aqueles olhos magníficos e inesquecíveis, pareciam transbordantes de doçura e de amor. Com uma voz ao mesmo tempo suave e penetrante, o desconhecido lhe perguntou

- Saulo!Saulo! Por que me persegues?

Sem saber como, Saulo ajoelhou-se e cheio de respeito, respondeu :

- Quem sois vós, Senhor?

- Eu sou Jesus – foi a meiga resposta.

Pareceu a Saulo que tudo se modificava dentro dele. Chorando compreendeu o que não pudera sentir antes, e na sinceridade imensa de seu coração, entregou-se completamente áquele mestre que antes odiara e perseguira, por não o entender. Espírito resoluto, perguntou :

- Senhor, que quereis que eu faça?

Seu orgulho se abatera. Agora, desejava apenas servir, sem escolher tarefa, sem nada pedir.

- Levanta-te Saulo! Entra na cidade e lá te será dito o que te convém fazer – foram as ultimas palavras de Jesus, que o contemplou amorosamente, antes de desaparecer.

Saulo não conseguiu ver mais nada. Diante da cegueira repentina de Saulo e de sua afirmação de que vira Jesus de Nazaré, os companheiros á exceção de um único servo, o abandonaram. Saulo encaminhou-se para Damasco a pé, apoiado no velho servidor que ficara com ele. Foi á casa de um amigo, o qual porém, ouvindo relatar os acontecimentos em que Saulo fora envolvido, recusou-se a recebe-lo. Profundamente triste, Saulo dirigiu-se a uma hospedaria modesta, onde ficou sozinho, porque o velho servidor, com medo de prejudicar-se, também o deixou.

Por três dias Saulo permaneceu em preces e meditações. Compreendeu que deveria contar com a ingratidão e o abandono dos amigos, se persistisse em seguir Jesus. Corajoso e sincero, uma vez convencido do poder daquele misterioso Jesus, que o buscara, no caminho silencioso de Damasco, Saulo só desejava conhecer-lhe melhor a doutrina e demonstrar seu arrependimento pela perseguição que a Ele havia movido, perseguindo seus seguidores.

Parecia-lhe mesmo justo ter ficado cego, depois da visão sublime. No terceiro dia, Saulo foi procurado por um estranho...


CAPÍTULO  VII

 TRABALHO, PONTE DE EVOLUÇÃO ESPIRITUAL


                        ...... que revelou ser Ananias, aquele mesmo que convertera Abigail e que Saulo viera perseguir em Damasco. Fora avisado pelos espíritos de que o moço de Tarso se encontrava ali e, em nome de Jesus, recebera instruções para curar o jovem rabino. Na presença do velhinho, Saulo ajoelhou-se, chorando, e para grande alegria de ambos é mais uma prova do amor de Jesus, no momento em que Ananias, quando colocou as mãos sobre os olhos de Saulo, este sentiu que lhe voltava à visão.

                        Pediu a Ananias que lhe contasse tudo o que sabia a respeito de Jesus e tomou emprestada, para copiar, algumas anotações que Ananias possuía, do Evangelho de Levi (Mateus). Contra os conselhos do bom velhinho, que lhe recomendou previdência, Saulo dirigiu-se á sinagoga local, para contar aos israelitas que ali se reuniam, o que lhe havia acontecido e dizer-lhes que Jesus era de fato o Messias esperado.

                        As palavras de Saulo provocaram confusão e tumulto. Enquanto alguns o julgavam louco, outros queriam bater-lhe, acusando-o de traidor. Enorme dor invadiu o coração de Saulo, que ficou sozinho na sinagoga. Recorrendo a Ananias, recebeu dele consolo e preciosos ensinamentos. Mostrou-lhe o velhinho que era necessário algo mais que o desejo de seguir Jesus. Era preciso que ele se preparasse pela meditação e pelo esforço para poder ser um dos mensageiros da Boa Nova.

                        Saulo ouviu tudo de boa vontade e decidiu partir para o deserto, á procura de seu velho professor, Gamaliel, que se encontrava em Palmira. Antes da partida de Saulo, Ananias o levou a uma reunião com os cristãos de Damasco, que o acolheram carinhosamente, apesar de saberem ser ele o antigo perseguidor, agora convertido ao Evangelho. Confortado, Saulo partiu no dia seguinte para o deserto.

                        Gamaliel o recebeu com surpresa e alegria. Como em outros tempos, Saulo contou tudo ao velhinho bondoso, que o escutou cheio de satisfação, já que ele próprio se tornara seguidor de Jesus. Aconselhado por Gamaliel, Saulo que se achava sem dinheiro, aceitou um emprego de tecelão em um oásis (verificar se as crianças sabem o que é um oásis; se não souberem, explicar) perdido no deserto. Aí teria oportunidade de meditar bastante e o trabalho rude o ajudaria a aprender muitas lições. Antes de partir, Gamaliel lhe fez presente do Evangelho que recebera de Simão Pedro. Despediram-se comovidamente e Saulo seguiu para o oásis, onde iria viver com um jovem casal de servidores do irmão de Gamaliel.

                        Esses dois servos, chamados Áquila e Prisca, eram cristãos e haviam se refugiado naquele oásis para escapar as perseguições feitas contra os discípulos de Jesus. Com eles, Saulo viveu cerca de um ano sem dar a conhecer quem era, com receio de que eles o odiassem, se soubessem ser ele o temido perseguidor. Observando-lhes a vida honesta e cheia de trabalho, o amor e respeito com que se tratavam, e estudando com eles o Evangelho, Saulo foi acumulando valiosos ensinamentos. Soube da morte de Gamaliel, que muito o entristeceu, pois perdia assim o melhor amigo que tinha na terra.

                        Certo dia, Saulo confessou aos dois companheiros de trabalho sua verdadeira identidade e, comovido, recebeu deles o perdão de verdadeiros seguidores de Jesus. Seus corações bem formados não guardavam rancor áquele que tanto mal lhes fizera, indiretamente, causando a morte do velho pai de Áquila e fazendo-os perder tudo quanto possuíam.

                        Uma sólida amizade se estabeleceu entre eles e Saulo ali ficou mais dois anos, completando quase três anos de permanência no deserto. Nesse período, Saulo não se descuidou de combater os seus defeitos e aprimorar as qualidades de seu caráter, no trabalho, no estudo e na meditação. Após esse tempo, resolveu voltar a Damasco.

                        Sozinho, no regresso a Damasco, Saulo sentia-se protegido por um poder invisível. Uma nova energia parecia penetrar em seu coração.

                        Ignorava ele que.....




PAULO E ESTEVÃO – CAP. VIII – HUMILDADE

Ignorava ele que, por determinação de Jesus, dali por diante Estevão estaria sempre ao seu lado, auxiliando-o na missão que o aguardava. O Mestre na sua infinita misericórdia e sabedoria, quis que a primeira vitima e o responsável pelas primeiras perseguições aos seguidores da Boa Nova trabalhassem juntos dali por diante. Em Damasco, Saulo reviu Ananias e foi muito bem recebido pelos irmãos do Caminho.

Retornando á Sinagoga (lugar onde os judeus se reuniam para estudar e orar) para pregar os ensinamentos do Mestre, Saulo foi mais uma vez atacado pelos antigos companheiros, que tentaram prendê-lo. A fim de escapar, Saulo seguiu uma sugestão de Ananias : á noite, com o auxilio de alguns companheiros seguidores de Jesus, e aproveitando as grandes arvores que existiam junto á muralha, Saulo foi suspenso por sobre os muros da cidade, por meio de uma corda, dentro de um cesto. Antes, despedira-se comovido de Ananias. Do outro lado do muro começou a pé a jornada em direção a Jerusalém. Como alimento levava apenas alguns bolos de cevada.

Atravessando a Galiléia, visitou os lugares onde o Mestre realizava suas pregações e falou a Levi (também chamado Mateus, que havia escrito as anotações que Saulo possuía sobre a vida de Jesus), e Madalena que tinha sido curada pelo Mestre e que fora a primeira pessoa a vê-lo, depois de sua ressurreição.

Cansado e abatido pela longa e penosa caminhada, chegou finalmente a Jerusalém, onde o aguardava a dolorosa surpresa de que sua mãe ao ser informada de sua conversão, morrera de desgosto e de que seu pai ficara profundamente abalado.

Os amigos chamaram-no de louco, recusando-se a recebe-lo. Os discípulos de Jesus, lembrando-se das perseguições por ele movidas, temiam-no e procuravam evita-lo. Saulo tudo suportou com humildade e resignação, compreendendo a prudência e reserva de suas antigas vitimas e orou, pedindo a Jesus as forças necessárias para atravessar aquelas provas.

Por sugestão de Simão Pedro, os apóstolos se reuniram e depois de muitos argumentos, ficou decidido que Barnabé, um dos seguidores de Jesus, fosse procurar Saulo. Encontrou-o triste e doente. Diante da humildade e sinceridade que transpareciam na expressão e nas palavras do antigo rabino, levou-o á “Casa do Caminho”, onde Simão Pedro o acolheu em nome de Jesus.

Vendo a transformação do antigo perseguidor, o coração bondoso de Pedro se condoeu, Saulo mostrou a Simão Pedro o Evangelho que lhe havia sido dado por seu velho professor. Reconhecendo as anotações que ele próprio dera a Gamaliel, o ex-pescador se convenceu da sinceridade de Saulo. Convidou-o a ficar com eles até recuperar a saúde e com muita humildade, o convertido de Damasco pediu para ocupar o antigo quarto de Estevão, no que foi atendido.
Aconselhado por Simão Pedro a não se demorar em Jerusalém, Saulo partiu para Tarso. Ali teve que escolher entre o amor de seu pai e Jesus, porque o pai só o receberia se ele se decidisse a renegar o Mestre. Com o coração dolorosamente ferido pela incompreensão paterna, Saulo seguiu seu caminho com Jesus. Resolveu repousar em pleno campo, nas vizinhanças de sua cidade natal.

Abandonado por todos, Saulo fez sentida prece a Jesus, o Divino Amigo, que a ninguém abandona. Semtiu-se como que transportado para longe da terra e viu Estevão e Abigail, que vinham confortá-lo e animá-lo a prosseguir na luta.

Soluçando, Saulo ajoelhou-se. Além de expressões de carinho, recebeu de sua antiga noiva um programa que haveria de guia-lo para o resto de sua vida. Resumia-se em quatro palavras....





















VIDA DE PAULO


VIDA DE PAULO (baseado no Livro Paulo e Estevão de Emmanuel – Psicografia de Chico Xavier)

Convém que, em aulas anteriores, o expositor explique ligeiramente a seqüência de fatos que antecederam a presente narrativa:
a vida e missão de Moisés, o trabalho dos profetas e o objetivo da vinda de Jesus e seus ensinamentos.
Explique também que a contagem de anos da nossa era se iniciou com o nascimento de Jesus.

Capitulo I - Tema Docilidade – Serenidade – Resignação

Na cidade de Corinto, na Grécia, havia uma família de judeus composta de pai e dois filhos: um rapaz e uma jovem.
A moça, cujo nome era Abigail, tinha 18 anos e era muito formosa. O rapaz Jesiel, deveria ter uns 25 anos. Jesiel gostava de ler os ensinamentos de Moisés e dos profetas, de onde tirava belas lições de amor, dever, obediência e perdão.
Estávamos no ano 34 da nossa era, um ano após a morte de Jesus Cristo. Os romanos, que dominavam a Grécia,fizeram cruéis perseguições aos habitantes locais, principalmente aos israelitas – dos quais tiravam as propriedades e muitas vezes a vida.
Foi assim que o pai de Jesiel foi morto, Jesiel feito escravo e apenas Abigail conseguiu refugiar- se junto a uma família amiga.
Posto como escravo nas galeras (embarcações) romanas, Jesiel logo chamou atenção pela sua atitude serena,diferente da de revolta dos demais prisioneiros. A todos animava com seu exemplo e sabias palavras, mostrando que qualquer serviço é digno e que os sofrimentos devem ser suportados com
resignação.
Certa vez, embarcou no navio em que Jesiel servia, um jovem romano ilustre de nome Sergio Paulo. No meio da viagem, esse importante passageiro, que era tratado com a maior atenção,foi vitima de violenta febre, altamente contagiosa.Receosos, todos os amigos o abandonaram. O comandante, não querendo expor-se ao perigo de contagio, resolveu escolher um dos escravos mais bem educados para tratá-lo.
O indicado foi Jesiel, que se dedicou ao tratamento do enfermo com toda a ternura do seu coração.
Dentro de algum tempo, como resultado dos cuidados de Jesiel,o jovem romano começou a restabelecer-se. O dedicado enfermeiro porém, foi tomada de febre maligna, e visto ser escravo, o comandante decidiu atirá-lo ao mar,para que não contaminasse os demais passageiros.
Sergio Paulo, que ficara profundamente agradecido a Jesiel, pediu que em vez de ser lançado ao mar, o jovem fosse deixado nas praias de Jope, porto
da Palestina. Para que ninguém ficasse sabendo que contra as leis romanas, dera liberdade ao escravo grego, Sergio Paulo fez constar nos livros de bordo que Jesiel fora lançado ao mar e pediu a este que, se sobrevivesse a doença, mudasse de nome, para que todos ignorassem o que acontecera.
Levado á praia, Jesiel ali ficou, cheio de dores, com febre alta. Nisto aproximou- se um malfeitor..... (continua no próximo capítulo).










quarta-feira, 15 de agosto de 2012

CÉU E INFERNO EXISTEM?

OBJETIVO:
A criança deverá:Identificar “céu” e “inferno” como estados íntimos da criatura, de acordo com sua vinculação ao bem ou ao mal; (2) deduzir que é natural se reunirem as pessoas segundo suas afinidades e interesses, impregnando com suas qualidades o ambiente onde se encontrem.

Incentivação inicial:

Dinâmica (“tempestade mental”).

Explicar às crianças que farão uma brincadeira que exigirá de todos muita atenção. Elas não poderão falar durante a mesma, só o fazendo quando o evangelizador determinar.
Mostrar-lhes um cartaz onde esteja escrito, EM LETRAS BEM GRANDES, a palavra CÉU.
Pedir-lhes que olhem fixamente durante meio minuto; depois deverão fechar os olhos, e durante meio minuto pensarão em tudo que aquela palavra lhes sugere. Após este tempo o evangelizador pedirá que abram os olhos e escrevam, ou desenhem, em folha de papel que lhes foi colocada à frente, aquilo que lhes passou pela cabeça ou lerem a palavra “céu”. Terão cinco minutos para realizarem a tarefa.

Repetir a brincadeira com a palavra INFERNO.
OBS.: Para crianças não alfabetizadas, o evangelizador mostrará o cartaz e lerá a palavra; e as crianças, em vez de escreverem, serão convidadas apenas a desenhar suas idéias.

Desenvolvimento: Narração.

A DÚVIDA DE RIQUE

Aquela noite prometia ser muito interessante.
A família de Julinho - papai, mamãe, Verinha, o pequeno Ricardo e vovó Helena - espíritas que eram, tinham o feliz costume de se reunirem, nas noites de quartas-feiras, para estudarem o Evangelho de Jesus. E naquela reunião o tema a ser comentado era “o céu e o inferno”, na visão espírita.
Desocupada a mesa das vasilhas do lanche, Verinha colocou copos com água para todos, enquanto mamãe providenciava os livros.
Papai fez a prece inicial, e após pequena leitura de uma pergunta de “O Livro dos Espíritos”, todos começaram a comentar o assunto, dando suas opiniões. Até que o Rique (este era o apelido de Ricardo) exclamou: (FIG.1)
- Eu tenho medo de morrer e ir para o inferno! Outro dia D.Antonieta, nossa vizinha, disse que eu era um verdadeiro “capetinha”...
Todos sorriram ante a espontânea confissão do garoto, e Julinho comentou:
- Ih, Rique, não fique preocupado... Certamente a D.Antonieta falou assim porque você deve ter “aprontando” alguma, e meninos arteiros costumam ser chamados de capetinhas, pestinhas, e outras palavras com o mesmo sentido.
- Além do mais - atalhou Verinha, com gestos muito engraçados - a gente não mooooooooooore; a gente desencarna!
Todos sorriram mais uma vez, enquanto Rique suspirava, aliviado.
Foi quando vovó falou:

- Vou contar uma história, e você, Rique, vai entender bem o que sejam o céu e o inferno.

Era uma vez um homem muito preocupado com o futuro. Cuidava de viver bem o presente, mas queria também garantir que não fossem ruins os dias que teria pela frente, mesmo após sua desencarnação.
Resolveu, então, procurar um senhor bem velhinho,tido como sábio, para pedir conselho.
- Que é um sábio? – indagou Rique.
- É alguém que tem muitos conhecimentos, que sabe muitas coisas! –se apressou a esclarecer Verinha, que estava inspirada naquela noite!
- Velho sábio – disse o homem – gostaria de saber o que devo fazer para ir para o céu quando desencarnar...
- O que você acha que seja o céu, meu filho? – perguntou o ancião.
- Ah,o céu deve ser um lugar onde as pessoas estão sempre bem, alegres, felizes...
- Pois bem – continuou o bom velhinho – imagine sua casa em um dia de festa; em seu aniversário, por exemplo. Que se passa lá?
- Ah,velho sábio, no dia de meu aniversário tudo é alegria! Os amigos chegam para me cumprimentar, todos gentis e bondosos; eu procuro arrumar a casa para recebê-los, ofereço bolo e sucos, pois quero que todos estejam felizes comigo!
- E na sua casa, meu filho – continuou o sábio – às vezes acontecem brigas?
Cabisbaixo, revelando profunda tristeza, o homem respondeu:
- Ah,meu bom ancião, e como acontecem! ... São momentos de grande tristeza... As pessoas ficam nervosas, dizem coisas das quais irão se arrepender, e até ensaiam agressões... E, se guardam ressentimentos, aquele clima de tristeza e dor custa a passar, deixando os envolvidos em sofrimento e angústia...
- Você acabou de me apresentar, meu filho – conclui o ancião – o céu e o inferno.(FIG.2)
Embora a casa seja a mesma, o que ocorre dentro dela é que vai torná-la um lugar mais feliz, ou menos feliz. No primeiro caso (o aniversário) sua casa era o céu; já no segundo (a briga), ali estava o inferno.
Isto acontece sempre, estejamos encarnados ou desencarnados. Céu e inferno são os nossos sentimentos, nossas emoções, o que trazemos dentro de nós, conforme estejamos vinculados ao bem –
céu, ou o mal – inferno. As pessoas ligadas ao bem, as que desenvolvem dentro de si os melhores sentimentos estarão sempre no “céu”, enquanto aquelas que se voltam para o mal, viverão em um verdadeiro “inferno”, até que se resolvam a endireitar os caminhos, a se melhorarem, porque todos
fomos criados para sermos felizes; depende de nossa vontade vencermos o mal e nos integrarmos ao bem.

Vocês acham que todos da família de Julinho entenderam o que seriam o céu e o inferno?
Quem poderia resumir para nós os esclarecimentos da vovó Helena?

FIXAÇÃO: “Pescaria”.

O evangelizador preparará peixinhos de papelão (modelo anexo), de modo a que haja dois para cada criança. Colará atrás deles tiras de papel onde estejam descritas situações ou qualidades que indiquem estados de “céu” ou “inferno” (por exemplo: carinho, atenção, briga, ficar “emburrado”, repartir um doce, estragar um objeto de outra pessoa, etc.). Espetará os peixinhos em um tabuleiro de areia. Cada criança receberá um anzol (feito segundo o modelo anexo), e pescará dois peixinhos, devendo identificar a situação descrita atrás, se corresponde a um estado de “céu” ou de “inferno”.


FONTE - AME-JF



terça-feira, 7 de agosto de 2012

EVOLUÇÃO DO PRINCÍPIO RELIGIOSO

Objetivo:

Reconhecer que a Terra recebeu diversos Enviados de Deus, que ensinaram as Leis Divinas de acordo com o estágio evolutivo da humanidade em cada época.

ATIVIDADE INTRODUTÓRIA

Apresentar o anexo 1. Dialogar a respeito da cena procurando saber o que eles acham que está acontecendo.



ATIVIDADE REFLEXIVA

Ouvir o grupo, acrescentando, caso seja necessário, que é natural que a criança por ser muito pequenina, não entenda o que é ensinado na classe de crianças mais velhas. Levá-los a perceber a importância de o professor começar a ensinar as coisas mais simples para mais tarde ensinar as coisas mais complexas.
Fazer questionamentos, estimulando a participação de todos:
-A Terra é uma escola. O que podemos aprender de muito importante na vida na Terra?
(anexo 2).


-Seja o que nessa escola aprendemos, seremos felizes se não vivermos com solidariedade?
(Dar exemplos na vida em família, na escola, na comunidade...).
- Que qualidades ou valores devemos ter para conviver com solidariedade? (Perceber os sentimentos do outro, ser compreensivo, ter boa vontade, perdoar as ofensas...).
Esclarecer que:
Vários professores ensinaram na escola Terra. Exemplificar com figuras conhecidas do grupo como, por exemplo, Jesus e Buda (anexo 3 e 4).






Cada um deles viveu em lugares e em épocas diferentes e ensinaram de acordo com a capacidade de compreensão de cada povo. Entretanto, todos ensinaram a mesma matéria: o amor, para que um dia todos possam vivê-los e serem felizes.
Até hoje os povos seguem esses ensinamentos através das religiões. Entretanto , se surgir uma religião no mundo no mundo que recomende coisas absurdas, por exemplo, o ódio aos que seguem outra religião, ela não pode ser boa.
As religiões são boas e úteis quando trazem a união entre as pessoas e as ajudam a serem melhores, fazendo o bem a todos. Precisamos sempre usar o discernimento ao escolhermos nossa religião.
Encerrar com o seguinte caso, destacando ao final que, sem amor, nenhum caminho religioso atende sua finalidade:
Madre Teresa de Calcutá (anexo 5) andava pelas ruas pobres de Calcutá, na Índia quando foi surpreendida pela seguinte cena: um homem idoso, muito doente estava estirado na rua e as pessoas passavam sem ligar para o pobre doente.
Madre Teresa, ao contrário, parou para cuidar do homem que surpreendido com seu gesto de bondade, perguntou:
-Qual é a sua religião? (ele não era da mesma religião dela).
E a religiosa respondeu:
- A minha religião é o amor!




ATIVIDADE CRIATIVA

Separar os participantes em subgrupos. Solicitar que cada um destes, a partir de situações da vida diária, encontrem soluções através da prática do amor ensinado pelas religiões. Os subgrupos poderão lançar mão do material que quiserem (recorte e colagem, dramatização, desenho, pintura etc.).

Educação do Ser Integral