segunda-feira, 15 de novembro de 2010

O NATAL DE SABINA




O NATAL DE SABINA – INTRODUÇÃO

Você agora vai conhecer Sabina e seu Natal de rua
Sabina
Uma vida sem lua
Quase sem palavras
Entre cores e imagens
Nunca mais você terá um só natal com desamor
Sabina sofrida, desconsolada
Se arrasta na vida
Com trapos e dor
Com força de amor
Palavras poucas
Mas cores muitas
Luzes sem conta
E imagens loucas
Natal sem Sabina
Ah! Nunca mais
Sabina vai conquistar você
Pelo olhar
Pelo coração
Pela mão
Conhecer a história de Sabina
È sofrer
É ver
É também viver
Branco e preto
Cores e flor
Sonhos e luz
E depois
Jesus
Tudo é Sabina
E sua sina
Com vocês
De Francisca Clotilde do livro psicografado por Francisco Cândido Xavier
O NATAL DE SABINA

NARRADOR 1
Natal!... A cidade vibra. Desde muito anoiteceu.
Ouvem-se vozes cantando: Hosanas!... Jesus nasceu!...
Rodam carros apresados, muitos grupos vão à pé...
A alegria em toda parte; traduz esperança e fé.
Enfeites! Guirlandas! Lojas! Cores de todo matiz...
Quantas mães falando em Deus!... Quanta criança feliz!...
Estrelas lembram na altura, alampadarios em flor
Descendo em bandos à Terra, para uma festa de amor.
E m meio de tanto brilho, quase de rastros no solo,
Sabina passa na rua com trapos a tiracolo
Andrajos cobrem-lhe o corpo. Na face desconsolada
Traz ainda o pó viscoso do leito sobra a calçada.
Abeira-se de uma casa, pede pão. Tenho muita fome.
Afirma-se fatigada há dois dias que não come...
SABINA
- Por favor, meu senhor, um pedaço de pão. Tenho muita fome.
Estou sem comer há dois dias!
SENHOR ENRAIVECIDO
- O Hospício fica mais longe. Afaste-se desta casa....
NARRADOR 2
Sabina continua caminhando. Toma outro rumo, pede bolo à padaria.
SABINA
-Moço, me dê um pedaço de bolo, pois estou muito fraca.
RAPAZ DA PADARIA (com ironia)
- Não vê que está na cachaça? Não nota que cambaleia?
Saia daqui, saia agora!... Peça bolo na cadeia!...
NARRADOR 2
- A pobrezinha se arranca procura em travessa ao lado,
Antiga caixa de esgoto num recanto abandonado.
Em torno a cidade brilha, toda envolvida de luz!...
Deitada no chão de pedra, Sabina pensa em Jesus...
NARRADOR 3
- Onde nascera Sabina? Vivia afinal, com quem?
Era inútil perguntar, ninguém sabia ninguém...
Lavava roupa em fazendas, capinava milharais,
Depois ficara doente... Ninguém a queria mais.
Tivera um filho, o Antoninho, que lhe fora apoio à vida
Morrera aos oito de idade, com febre e tosse comprida.
Desde a morte do menino, fazia em tudo supor
Abatida e desgrenhada que enlouquecera de dor...
NARRADOR 4
Era triste, desleixada, andava de deu em deu
Se parava era somente a fim de fitar o céu.
Nessa noite de alegria, embora sem entendê-las
Enfraquecida e cansada, Sabina olhava as estrelas.
Parecia o firmamento um campo da primavera
Onde estaria no alto o filho que Deus lhe dera?
Em lágrimas recordava o Natal de antigamente
O barraco improvisado, o bule de café quente...
Revia a fel de saudade, os sorrisos de Antoninho,
Ao despejar-lhe nas mãos as dádivas do vizinho...
Restara-lhe, unicamente, depois do filhinho morto
Doença, frio, abandono, sofrimento, desconforto...
Nisso alguém lhe surge à frente, homem moço em largo manto,
Por tudo e em tudo irradia incomparável encanto
-JESUS
Sabina, em que pensa triste assim?
Não vê que a cidade inteira é um luminoso jardim?
SABINA
Não, senhor, nada vejo em derredor,
Quando é noite de Natal, meu sofrimento é maior...
JESUS
Que quer você? Dinheiro? Roupas de renda?
Um tanque para lavar, um milharal de fazenda?...
SABINA
Ah! Senhor, se o céu me escutasse agora, nada disso pediria.
Como sempre, rogo em prece, enferma e só como estou,
O filho que Deus me deu e a morte arrebatou.
JESUS
Sua oração foi ouvida
SABINA
Quem ouço?
JESUS
Eu sou Jesus!
(Do manto de Jesus sai Antoninho)
ANTONINHO
Mamãe!
SABINA
Ah! Meu filho!
NARRADOR 2
Encontro, surpresa, benção, jubilo imenso depois...
Sabina beijava o filho. Jesus abraçava os dois!
Naquelas pedras de rua, que a luz do céu banha e doura
Clarões pintavam em prata lembranças da manjedoura.
Logo após os três partiram ouvindo canções ditosas
Em nave feita de estrelas emolduradas de rosas.
(Sabina entra novamente em cena)
Em toda parte as legendas que o mundo nunca esqueceu:
GLÓRIA A DEUS!... PAZ SOBRE A TERRA!...
HOSANAS!... JESUS NASCEU!
(entra em cena a senhora)
NARRADOR 3
No outro dia, cedo ainda uma senhora na estrada,
De longe enxerga Sabina como a dormir, recostada...
A dama quase supõe na pobre que conhecera
Um retrato da alegria numa escultura de cera.
Volta à casa... Traz um caldo, quer saber se a reconforta
Chama Sabina, de leve, mas Sabina estava morta.

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